segunda-feira, 7 de setembro de 2015
domingo, 23 de agosto de 2015
A Cabra Artesã
Nessas viagens mirabolantes que fazemos e escutamos às vezes alguém contar e sempre duvidamos da verdade e rimos silenciosos dentro de nós imaginando o porquê de uma mentira tão horrorosa e sem sentido, essa historia se enquadra com certeza. Lá pelas bandas de Vitoria da Conquista na Bahia numa dessas cidadezinhas que não constam no mapa e que ninguém lembra o nome das ruas e do numero das casas porque não recebem noticias e nem outra necessidade de se ter mesmo nomes e números existe, parei pra tomar alguma coisa e descansar as pernas já cansadas de ficarem dobradas dentro do carro. Um cidadão nativo da região, com sotaque bem carregado começou a contar em meio a nossa conversa que havia ali muitos artistas, poetas, artesões e tantos que exerciam o duro oficio da arte com muita maestria. Num tom mais grave disse que os artistas de alguma forma voltavam a habitar a cidade depois de mortos. Seus nomes eram colocados em escolas, ruas, praças, bares, eventos e festivais no sentido de homenageá-los. E aqueles artistas que por não terem atingido um grau de reconhecimento em vida ou simplesmente por distração das próprias autoridades competentes foram esquecidos com o passar do tempo, suas almas contrariadas e revoltadas, voltam em animais que em vez de grunhir, latir, berrar e miar como tradicional de sua espécie, repetiam o nome de suas almas. Tudo me suou tão fantástico e mirabolante que dei gargalhadas absurdas e irônicas na cara do cara. O sujeito com ar sisudo me desafiou a conhecer a prova mais concreta deste fato bem perto dali. Eu que estava por conta mesmo dessas especulações, decidi averiguar a veracidade da estória. Falou num tom desafiador para irmos até a casa de Emanuel e eu veria com meus próprios olhos a reencarnação de Maria Trindade, artesã filha de artesão que tinha morrido há alguns anos. Pensei logicamente uma serie de hipóteses, ou ele era louco, ou queria me roubar, me matar ou ele era gay e menos que ia me levar pra ver a alma da Maria num bicho. Calculei o tamanho de minha curiosidade e o comprimento de meu medo, mais minha covardia e preguiça e venceu a curiosidade. Caminhamos em direção a casa deste tal Emanuel para que eu comprovasse e visse com meus olhos a fantasmagórica história. Chegando lá algumas crianças distraídas brincavam na frente da chácara, carrinhos feitos de garrafas descartáveis e latinhas de alumínio. O homem com um olhar que não entendi acentuou as crianças com movimentos dos olhos e da cabeça. Achei estranhíssimo. Um pouco depois da porteira estava Seu Emanuel, sentado em um tronco de árvore fumando um cigarro de palha e contemplando o verde a sua volta, que era muito com certeza, pois havia cerejeiras, mangueiras, limoeiros, abacateiros e toda espécie de chás e ervas medicinais plantadas ali. Ele estava parado, uma sensação de tranqüilidade era a presença de um zéfiro reverberante a seu redor. Quando nos avistou levantou prontamente a nos atender, cumprimentou o homem e me cumprimentou também nos convidando pra entrar. Voz rouca, cansada, andar lento, já foi andando na frente e nós o seguimos calados a observar a variedade de rosas, orquídeas, acácias, bromélias, camélias, margaridas, lírios, palmas, coqueiros e muitas plantas que não conheço e não sei o nome. Em meio o caminho ele pára, se vira pra mim e diz calmo e sereno que está cobrando dez reais pela visita. Concordei com a cabeça e prosseguimos. Havia depois das plantas um galinheiro, um chiqueiro e mais a frente bem rente a mata ciliar, uma casinha rosa muito bem feita e uma cabra marrom com manchas brancas pelas costas. Achei-a muito simpática e amistosa, mas senti um pavor em pensar que ali estava realmente a alma de Maria Trindade. Quando insinuei que ia dizer algo Seu Emanuel me calou instantaneamente com um movimento das mãos. Chamou Maria pelo nome, ela veio, ele tirou dum saco plástico pendurado na cerca uma latinha de alumínio e deu na boca da cabra. A Maria Cabra com uma calma de monge budista, um olhar singelo e resignado começou a mastigar a lata que estalava a cada mordida e rangia e se contorcia se despedaçando. Em instantes a lata sumiu entre os maxilares de Maria e desapareceu goela abaixo. Olhamo-nos varias vezes silenciosos e impressionados, quer dizer, pelo menos eu estava muito. Quando pensei em perguntar, novamente fui interpelado por Seu Emanuel, mas agora só com um olhar. Ele disse logo em seguida se afastando e sentando na grama de frente ao cercado da cabra que ela já estava com muita pratica e que em dez minutos tava pronto. Questionei o que aconteceria em dez minutos, um gesto novamente dos dois com a palma da mão foi a resposta. Elogiei a propriedade, as árvores, as plantas e os animais. Mas os dois homens olhavam a cabra com tamanha veneração e devoção que achei que eles nem ouviam. Seu Emanuel muito educado me agradeceu e disse estar a sua vida toda colocada ali. Cada detalhe, pedra, planta, flor, arvores e caminhos. Tudo feito com o amor da mulher e dos filhos. A cabra ficou um tempo parada olhando para nós e depois andou em círculos rente a cerca, parecia passeando lenta,olhando ao redor e balançando o rabinho. Os dez minutos foram passando e cada vez o temor do que poderia acontecer de mais bizarro, me atormentava o pensamento. Foi quando ao termino dos dez minutos Seu Emanuel levantou e chamou Maria novamente e com ar doce e carinhoso a questionou o porquê da demora. Foi tão intrigante, pois a cabra o olhou com uma ternura imensa, completando com um sorriso meio de lado como se tivesse entendido o seu dono, então virou as costas e começou a rebolar o traseiro e a levantar o rabo. Não consegui não pensar que o homem tinha uma relação sexual com a cabra. Meu constrangimento não cabia naquele espaço de tanto horror. Foi quando num esforço intestinal, a cabra Maria soltou pelo seu anus, uma panelinha de pressão miniatura, feita da mesma latinha que ela havia comido há minutos atrás. Meu coração palpitou sublime de emoção e espanto e a vontade de sair logo dali me correu os nervos. A presença da cabra se tornou pra mim demoníaca e profana. Recuei com agressividade quando Seu Emanuel quis me entregar a obra de arte da cabra na minha mão. A principio disse não querer a tal panelinha Cabral. Aceitei-a depois de uma boa lavada e numa sacola, para servir de prova deste fato tão extraordinário. O caminho até o carro interroguei o homem sobre como sabiam que era Maria Trindade mesmo aquela cabra e por que não a devolvem a família. Mas o homem nada disse. O certo é que este fato mudou totalmente minha opinião sobre varias coisas e sobre os animais e os homens. Quem quiser saber e ver e comprovar além da panelinha minha historia, é só voltar ao começo e ver o endereço.
domingo, 25 de novembro de 2012
O Ultimo Boi
Domingo aquele churrasco com os amigos era de lei. Eu e minha namorada fomos à casa de John e comemos como carnívoros que somos, muitos quilos de carne vermelha. Uma cerveja pra acompanhar é muito bom. Uma caixa, duas, três. Fomos pra casa umas dez horas da noite. Um processo rápido de higiene corporal e bocal e nos deitamos, transamos, conversamos e dormimos bêbados e felizes. Acordei no meio da noite não sei por que, e de olhos abertos olhei o quarto. Alguns feixes de luz passando pelas frestas na janela me mostravam pouca coisa na escuridão. Vaguei meus pensamentos mais ocultos pelo breu de sombras entre as quatro paredes daquele quarto por volta de uns quarenta minutos, até sentir um terrível mau cheiro, tratava-se de algum bicho morto pensei. Levantei sorrateiro e acendi a luz, olhei de baixo da cama, do guarda-roupa, e entre as coisas e os objetos todos. Não achei nada e decidi me deitar e voltar a dormir. Apaguei a luz e abracei forte minha companheira e encostei minha cabeça em seu pescoço dando um cheiro bem profundo e intenso, ela se virou e me deu um beijo. Naquele momento percebi que o cheiro fedorento que eu sentia vinha diretamente de sua linda boca. Nesse instante percebi que eu também fedia como carniça. E logicamente associei o olor horrendo de nossas bocas a toda àquela carne assada e putrefaça em nossos estômagos, como cadáveres a deriva em um mar de ácidos e refrigerantes de cola. A noite foi um mergulho em meus conceitos alimentares. E depois disso não comi nenhum pedaço de carne de algum ser vivo seja da terra, do ar ou das águas.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
5ON3M M3N 5I4M 4D4N E7R4 U05 U3
Não na superfície da interpretação popular!
Alem dessas coisas que podem ser ditas.
Onde as palavras nunca chegarão.
Só sentindo pra saber.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
O Violão Passaporte
É incrível como as pessoas se encontram e se associam a pessoas e a grupos de acordo com gostos e costumes e culturas. Sou um tipo de cidadão moderno e atualizado, mas que faço parte de uma categoria nostálgica e romântica, que adora ir pro meio do mato e acampar na beirada de um rio e fazer fogueira e cantar e tocar debaixo de uma lua qualquer um violão desafinado. Leonardo companheiro dessas luas carregava seu violão em todas as noites, até o dia em que seu violão foi o passaporte pra ele ir embora. Trabalhava sábado até ao meio dia e numa sexta feira na chácara de num sei quem meu caro amigo Leozera se encontra numa situação complicada e delicada pois estava de carona com um amigo e tinha combinado com ele de voltar e o cara não queria acordar de jeito nenhum. Aquele berro desesperado acordou a todos da casa, menos o nosso grande Cícero, e aquele alvoroço de argumentos liberados pela boca de Leonardo que de tão feroz e persuasivo devorava o ambiente em imagem e ofuscava todo ambiente com um aspecto surrealista e trágico. Quando enfim arrombou a porta e adentrou o quarto. Todos desesperaram a segura-lo, mas seus gritos eram ainda agressivos e conjuravam a vida em palavrões e esporos. depois de alguns minutos Cícero se manifesta e diz que em dez minutos sairiam. Leozera se afastou foi lá de fora andou de um lado pro outro voltou olhou no relógio olhou no quarto e ele continuava deitado. Foi lá pra fora tentou dedilhar alguma coisa no violão, mas não deu estava muito nervoso. Ficou os dez minutos esperando e nada dele acordar. Saiu pelo quintal a fora e decidiu dar uma volta e tentar se acalmar. Depois de uns dez minutos a mais, ele voltou cheio de argumentos falando decido e firme todos dos motivos que eles tinham pra ir embora, mas não adiantou, Cícero não se moveu, foi quando num ato de desespero e coragem, Leo pegou seu violão e acertou o chão bem próximo da cabeça dele fazendo um grande barulho de cordas e madeira e o estraçalhando em pedaços, o violão claro. O Cícero deu um pulo enorme e em dois passos estava dentro do carro calado e prestativo a levar Leonardo pra casa em segurança. Foi uma atitude radical e extrema, mas teve seu objetivo alcançado. Leonardo chegou a seu trabalho no horário.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
GPS Psicopata

GPS psicopata
Thiago Allexander
O ser humano é com certeza, fascinado com sua própria criação, desde a mais singela a mais engenhosa. Em pleno galope desesperado vai a tecnologia sedutora de vermelho a ludibriar nossos sentimentos e nos colocar de joelhos a seus pés. O obstinado desejo de consumo que nos inunda os olhos, penetra nossa mente e com força imperceptível atinge sua meta e impulsiona nosso destino a revelia de nossas vontades, é muito forte. Gabriel desde pequeno encantado com robôs, vídeo games, jogos e aparelhos eletrônicos não é muito diferente do resto do mundo, talvez um pouco. Nunca abandonou seu gosto por essas façanhas humanas tão bem elaboradas. Seu irmão Juliano também não ficou atrás nesse sentido chegando até a se especializar em engenharia mecatrônica e robótica, mas falarei nele em outro momento. Agora Gabriel tem outros interesses mais amplos, vários destinos e lugares pelo Brasil e pelo Mundo. No intuito de facilitar suas viagens e a chegada em lugares lindos e exóticos, comprou um aparelho chamado GPS, que é uma espécie de mapa virtual. Muito bem programado e atualizado, ultima geração. Uma tela fina sensível ao toque e uma voz feminina linda e sensual eram parte do equipamento, enquanto as ruas seguintes iam se projetando na tela. Esse utensílio causou a principio uma vontade de ficar até mais tempo dentro do carro só pra ouvir aquela voz falando. Acontece que às vezes Gabriel não seguia totalmente as instruções da GPS Girl, pois os caminhos nem sempre eram os melhores e mais curtos e rápidos e ela repetia que o caminho estava errado. A convivência entre o motorista de sempre e a GPS Girl era muito boa no começo até romântica às vezes. Ele a chamava de gatinha e meu bem e minha querida. Mas o fato é que algumas semanas depois, Gabriel percebeu uma mudança de comportamento naquela maquina. Sempre quando não seguia as instruções dadas por ela e determinadas na telinha, ela mudava o tom de voz e dava uma bronca. A voz suave e sensual de outrora ficava rouca e grave e junto uns adjetivos em xingamentos e maus tratos. Ela chegou ao ponto de proibir a música alta dentro do carro, nos caminhos diários o que contrario ainda mais o motorista. A convivência ficou meio chata por causa disso e já não tinha muita graça aquela presença tecnológica ao seu lado, no transito e nas estradas de cada dia. O nosso amigo motorista não sabia como terminar aquela relação e se martirizava por ter se envolvido de tal forma com um mero aparelho eletrônico. Lembrou da infância de como se apegava aos carrinhos de controle remoto, aos games, aos televisores e sentiu uma nostalgia enorme daquele tempo e de como seus pensamentos não faziam tantas analogias e teorias com relação a essa problemática. Seguia contrariado pra casa com a presença constante da GPS Girl quando o sinal fechou a poucos metros de sua passagem. Freou bruscamente e parou com receio de algum carro bater na traseira, olhou pelo retrovisor interno e estava tudo bem. De repente vindo de lugar nenhum um garoto grita perto da janela: perdeu e sai correndo. No instante seguinte ainda envolvido pelo susto percebe que a GPS não esta no seu lugar e que foi roubada pelo garoto. Um largo sorriso toma conta de seu rosto e num gesto de liberdade liga o som e sai cantando com a abertura do sinal. Foi como uma ação divina aquele sinal, aquele garoto e até a música seguinte como uma trilha sonora daquele momento.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
E uma tempestade arregaça a calmaria
Violenta minha paciência em duvidas
As músicas são os remédios apropriados
Mas não curam nada
Eu penso! Analiso! E...
Fogem as borboletas bonitas como as conclusões que eu gostaria de tirar.
Pra onde vão, e o quanto de minhas falhas vejo em outros tão próximos.
Como evitar a reflexão que me dilacera se esse é meu processo.
Malhar minha buscar como fútil e meu credo como fardo,
Mudar sem medo o rumo não esquecendo o fim.
Meu cataclismo interior é infinito, meu combustível.
Somos todos assim, concluo!
Haverá mesmo além desta superfície existencial, sossego?
A rotação traz pra mim a claridade desta lua sempre.
Seu magnetismo altera minha conduta
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