quinta-feira, 7 de outubro de 2010


amigos está no ar em paginas brancas e letras azuis o Faruteiro Anti-expotético minha coletanea de poesias.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

poetica dalinesca


Uma linha finíssima de luz é onde a fumaça se faz presente
No limpo céu a lua quer chegar a mim.
E os pisos do chão me atraem a me segurar e as poltronas agarram-me em silencio
Bato no telhado a cabeça e volto aos braços do computador, e as caixinhas me beijam com musica me convencendo a ficar no solo.
Desprendem-se de meus pés os chinelos e...
Tenho galos na cabeça da lua me puxar dentro de casa...
Pavoroso silêncio pernilongo no meu sofrimento.
Umas caixas pegam fogo bem perto da janela,
A persistência da lua traça um traço
A fumaça luminosa e eu nos falamos
Coloriu o ar sua fala e alimentou meu surrealismo.
Derreti num tom lilás e escorreguei sereno.
Toda minha insignificância no universo
Ali da mesma fresta
A minha brecha do mundo

terça-feira, 20 de abril de 2010


Assembléia Ratolina
Thiago Allexander

Logo após por os pés na calçada e se dirigir à rua na intenção de atravessá-la, avistei Augusto de braços abertos a me cumprimentar, seu sorriso maroto já me fez entender que havia algo de muito bom acontecendo. Saudosamente nos falamos e disse que tinha uns cartazes antigos de circo na casa dele pra me presentear. Fomos em direção a sua residência, atravessamos a rua juntos, uns vinte passos, chegamos. Entrou pegou o cartaz, me entregou e contou como tinha os conseguido. Tomamos um chazinho delicioso que ele preparou e ficamos num papo tranqüilo e descontraído debaixo do pé de manga. Tudo e tranqüilo e sereno, as crianças brincavam silenciosas e entretidas. Enfumaçamos os céus com nossos pensamentos e após uns vinte minutos aproximadamente o telefone do Augustinho tocou. Conversou pouco e sucinto e combinou que já ia lá. Preparei pra levantar e partir, no que ele me interpelou de imediato pra ficar e esperar mais uma dose de chá e disse ser rápido o processo que ia fazer. Fiquei sentado sob a sombra da mangueira a refletir a vida com os olhos vagos. De repente Larissa grita bem perto de mim ‘olha o rato, o rato, o rato!’. Quando me virei e olhei o roedor correu e se escondeu entre uns entulhos. O gato saltou e foi averiguar a situação. No mesmo pulo que foi ele voltou pra de trás das minhas pernas correndo. Apanhei uma pedra enorme de concreto com uma banda de tijolo incrustada e me preparei pra massacrar o visitante inoportuno. Não que eu seja contra os animais ou roedores, é pelo fato como são abusivos e evasivos esses ratos urbanos. Quando consegui avista-lo entre as pedras e restos de um armário velho, percebi o por que do gato ter ficado com medo, era uma ratazana enorme quase do tamanho do gato. Joguei o tijolo com força e precisão, ele bateu na parede uns quarenta centímetros do rato, que correu e entrou num cano e sumiu. Minha má pontaria tinha feito um buraco na parede de uns dez centímetros mais ou menos. Curioso que sou, me aproximei e tive a visão mais fantástica da minha vida, quiçá de toda a humanidade. Vi uma centena de ratos alinhados em fileiras quietos escutando atentamente um outro ratão que discursava eufórico e eloqüente. Reparei que todos seguravam uma espécie de papel, nas patas superiores. Era uma Assembléia Geral, uma sessão ordinária que tinha como temática de sempre, conquistar o mundo e mandar os seres humanos para os esgotos e submundos. Dentre as propostas traçavam uma invasão conjunta em todos os centros de poder nacional e mundial e citavam seres humanos como cúmplices e parceiros. A estratégia vinha sendo preparada por uma equipe de ratos do centro de estratégia que ficava na Rússia. A articulação era tão minuciosa que pelo que entendi estava sendo desenvolvida há quarenta anos. Envolvia o corte de água, o saque de alimentos e até assassinatos de autoridades e seqüestros. Percebendo o tamanho da organização e acreditando eu no risco da humanidade, resolvi chamar alguém e por fim pelo menos naqueles congressistas. Apoiei minhas mãos na parede na intenção de me afastar e pá. Algo ou alguma coisa me atingiu a cabeça forte e eu apaguei. A primeira coisa que vi logo após abrir os olhos foi a carinha da Larissa e seus cabelos ruivos esvoaçados bem próximos de meu rosto. Senti alguns pontos doloridos nas minhas costas e percebi que estava deitado entre os mesmos entulhos onde outrora o rato se escondera antes. Quando me sentei, pude ouvir novamente o barulho das coisas, os ônibus passando e estremecendo tudo. Do portão Larissa conta o fato ao pai que vinha chegando de uma maneira bem interessante e infantil dizendo que eu estava dormindo. Nisso levantei rápido e olhei o buraco, não estava lá, havia sumido, mas como? Esses ratos, esses ratos, são mesmo uns ratos,pensei. Ao ver Augusto, ainda meio tonto, sentei de novo em baixo do pé de manga e decidi não contar o fato esquisito que vivenciei. Tomei mais chá, bati mais uma meia hora de papo e fui embora. Já na porta de casa decido ir ao supermercado. Pensei tenho que me prevenir. Comprei todo estoque de veneno pra rato, cerquei toda minha casa num ritual detalhista fiz uma cobertura completa em volta do telhado, entre as cômodas, em baixo, em cima e por toda parte. Ainda não descobri o que me acertou, ando espiando desconfiado tudo quanto é buraco e sempre a impressão de estar sendo observado, mas é incrível demais pra alguém acreditar nessa historia. Preciso de provas e vou consegui-las primeiro, enquanto isso, fico atento.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010


O Show mais esperado do Ano
Thiago Allexander

Nossa! O universo nunca conspirou tanto a favor de um acontecimento desses na minha vida antes do desenrolar deste evento. Em plenitude juvenil, rigorosa revolta e curiosidade excessiva, me atirava ao desconhecido de cabeça. O rock com certeza foi e será pelo menos pra mim, um sentimento de determinada geração, sofrendo em decorrência do fluxo comum da historia, a própria evolução em linguagem e também estória e simbologia. Na época esse pensamento certamente não estava tão certo na minha cabeça, e diversão era palavra chave. Encurtando tudo: ganhei o ingresso, fui com muitos amigos dos quais estavam, John, Thiago, Suicida e o Mario Magalhães pai do Raul. A plástica do lugar todo em frente à entrada do show no estacionamento do estádio era um misto de preto e Jeans e fumaça e agitação e gritaria. Foi uma Maravilha! Um pouco de Rock in Roll na veia é sempre necessário pra aliviar as tensões e liberar energia. Uma fila grande permitiu nossa entrada depois de uns trinta minutos, mas quando a gente estava na porta de entrada sendo revistados, o segurança diz que não podemos entrar com as garrafas de vinho, quatro. Olhamos-nos desconsolados e decidimos beber os vinhos lá de fora. Tinha tanta gente de fora, a mesma festa de depois do portão, e o som alto como perto do palco. Ficamos depois mais uns 30 minutos pra tomar essas garrafas de vinho, o que foi muito pouco tempo e quando passei o portão estava tão bêbado que tropecei no primeiro canteiro dentro do evento, me sentei e depois chapei e acordei depois umas duas horas, o Bicho pegando em som e pancada e fumaça e cerveja, olhei o pro lado e vi o John mais a frente, me viu e veio me ajudar, levantei meio sonso, dei uns goles numa cerveja e o Rock contorceu meus nervos a noite toda. Fiquei com a impressão de um sonho muito estranho e enigmático. Eu sai como onda sonora de uma caixa de som e era a própria musica e o tempo o compasso minha respiração num ar livre em ouvidos e olhos infantis colorindo poesia com suas risadas e sorrisos. Um fluido sonoro era minha impressão de existência, impermeável e insólito navegando sem dimensão de espaço ou fim. Minha boca responsável também por emitir essa onda sonora que eu era no microfone pra mesa e pra potencia e pras caixas e esse processo me corria nas veias e pelos sentidos um turbilhão intenso. Voltei pra casa com a impressão de um sonho. Acordei e foi real.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009



Celular Vadio ou volta no quarteirão
Thiago Allexander

Depois de algum tempo de uso meu celular começou a dar defeitos variados, cada momento um novo pra me atrapalhar. O problema mais estranho e esquisito que poderia acontecer é essa estória. Esse aparelhinho virou um companheiro de todas as horas da humanidade. Certa vez, numa destas noites de bar em bar e mesas e copos e cervejas, estava eu e meu V3 Black tomando umas cervejas e de repente um copo todo caiu em cima do Black e o encharcou. Putz, aí o desliguei, tirei a bateria, sequei e esperei uns minutos e copos a mais e o liguei. Quando fiz isso ele começou a vibrar e não parou, ficou louco, tentei desliga-lo, desliguei mas não adiantou, só parava quando tirava a bateria. Depois que desliguei e tirei a bateria algumas vezes ele pirou de vez e nem precisava ligar pra começar a tremedeira, punha a bateria e compulsivamente vibrava louco e mais forte agora fora do normal. Fiquei meio contrariado e fui embora mais cedo como de costume. Ele vibrou aflito até minha casa, decidi desafia-lo e o deixei vibrando. Escovei os dentes, me arrumei pra dormir, tomei um copo de água e me deitei colocando o Black no chão bem perto da cama em cima de uma camisa pra não fazer tanto barulho seus tremeliques. Fui pensando na vida com a cabeça no colchão analisando essa situação do celular e o barulho parecia ficar mais calmo e baixo, achei ser a bateria ficando fraca. Pus o braço pra baixo em direção ao celular no chão e não achei, apalpei até onde alcançava minha mão e nada, levantei, acendi a luz e vi que ele tinha sumido. Parecia que tava ficando mais longe o barulho, sai do quarto no intuito de seguir seu rastro sonoro, fui pra sala e o som parecia estar vindo da garagem, abri a porta da sala e sai tateando com os olhos o chão, olhei de baixo do carro, perto das plantas e nada. Abri o portão e sai pra rua, o barulho ainda persistia e estava mais grave e se distanciando. Olhei a rua dum lado pro outro e nada e nem ninguém. Foi quando olhando de relance vi algo se mexendo na calçada há uns dez metros de mim. Caminho largamente e lá estava, indo não sei pra onde, meu companheiro telefônico. Confesso ter ficado com medo nessa situação. Parecia estar vivo e precisar ir a algum lugar com urgência. Titubeei em apanha-lo e interromper seu caminho. Fiquei o seguindo, dobrou a esquina. Me dividi entre o desejo de que passasse alguém e presenciasse a cena e o pensamento obtuso do ridículo surreal e vergonhoso que seria pra mim ser visto seguindo um celular pela calçada. Na outra esquina ele virou na mesma calçada do meu quarteirão e na outra também e continuou a caminhada até na porta da minha casa. Onde parou e sossegou. O peguei feliz pensando ter acabado o problema vibracional dele, mas era a bateria que tinha descarregado. Foi só ligar na tomada pra ele recomeçar. Decidi tirar a bateria e colocar bem longe do aparelho. No dia seguinte levei no concerto, cinco minutos e o camarada arrumou e ficou legal e tranqüilo, se comportando ao contrario do epiléptico de ontem. Foi uma pecinha que tinha entravado com outra e estava disparando a vibração e deu no que deu. Nunca mais minha relação foi a mesma com meu neguinho, pois tenho certeza que além desse defeito, ou por detrás dele havia o desejo de dar uma volta sozinho pelo quarteirão e se sentir livre por pelo menos alguns segundos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Curiosidade
Thiago Allexander

A curiosidade matou o gato com certeza faz uma alusão muito compatível a condição em que pode submeter-se qualquer individuo em prol de satisfazer esse desejo indiscreto de saber certas coisas que nem nos cabe. Uma de nossas vertentes compulsivas e despercebidas é a mitificação de nosso cotidiano, seja dentro de padrões éticos, culturais ou religiosos ou pagãos, estamos buscando entender as entre linhas das situações. Com certeza, como esse nosso sistema capitalista aproveita de todas as situações e informações ligadas a fragilidade e as necessidades da humanidade no mecanismo de propaganda, mercado e produto não foi diferente. Não há com certeza parâmetros e nem medidas pra se calcular o quanto a curiosidade é parte de todo o processo do universo. Num conjunto de entrelaçadas teias e traços e pontos e linhas se engrenam nossos sentimentos nossas ações, nossas vidas, e agem num fluxo continuo onde se afastam e se completam e subtraem. De costas um pro outro se impulsionam e o medo agachado, o amor deitado torce o pescoço e sorri, o medo gira e se afasta, a curiosidade olha a janela e a beleza passa e olha, a confiança, assovia, a vaidade ajeita o cabelo, o orgulho finge que não vê, o rancor lá longe balbuciou alguma frase daquelas inteligíveis e incompletas de sempre. A curiosidade saía em noites fantásticas e imemoráveis com a insanidade, a luxuria e o prazer. Era a babilônia mais sutil num desses bares grandes e hotéis cinco estrelas onde os catálogos de garotas estavam à mesinha do telefone. Certa vez à deriva em alto mar, Apolo Deus do sol castigou a curiosidade, mas os zéfiros se compadeceram e a levaram junto com a coragem, á outras terras além. E inevitavelmente as fronteiras foram quebradas e hoje não há lugar, seja numa fechadura, uma conversa, uma duvida, uma desculpa, a curiosidade estará, invicta do tempo, alheia as dores e frustrações, pois seu temperamento é o quanto precisamos de certa forma pra aperfeiçoar nossa própria personalidade. Anda às vezes de mãos dadas com o conhecimento e se encontra as escondidas com a mentira e a imparcialidade estratégica da política humana. A paixão é conselheira pra alguns momentos e certo que também ela se abre a curiosidade sobre o amor. De algum buraco do mundo alguém espia o que realmente lhe importa nessa existência e comunga a cumplicidade atemporal do desejo pelo conhecimento e o encanto pelo desconhecido. Olhamos a nossa volta e com uma analise simples poderemos perceber o resultado de tanta curiosidade, tanta ciência, filosofia, religião e conceitos e tecnologias e pesquisas, um manancial inesgotável de interrogações e questionamentos que nos fazem náufragos absortos e despercebidos achando ser somente o desenrolar comem da vida. Enfim uma conclusão somente sobre a curiosidade e seus efeitos e sua atuação, que também de certa forma poderemos enquadrar um conjunto extenso de outros sentimentos, em medidas variadas e nunca sob generalização, existem benefícios e malefícios, cabendo cada qual dentro de sua ética e conceitos, comedir e controlar.